Regeneração: quanta energia recuperamos realmente quando travamos?
Já explicámos aqui, a propósito da eficiência dos motores elétricos, que um elétrico não é só um motor, é também um gerador quando trava. Mas quanto vale isso, na prática? A resposta tem uma faixa mais larga, e uma nuance mais interessante, do que a maioria dos condutores imagina.
O número de referência, e porque varia tanto
Segundo múltiplas fontes técnicas do setor, um sistema de travagem regenerativa recupera tipicamente entre 60% e 70% da energia cinética perdida durante a travagem, em condições normais de condução. Mas esta percentagem não é fixa, muda drasticamente consoante o cenário: em desacelerações suaves em terreno plano, a eficiência ronda apenas os 48%; numa descida prolongada, pode ultrapassar os 85%. É por isso que estradas de montanha, com longas descidas, são particularmente generosas para a autonomia de um elétrico, muito mais do que uma travagem brusca numa cidade plana.
Há ainda dois limites físicos que a maioria dos condutores desconhece. A baixas velocidades, a eficiência cai, porque o motor e o inversor têm dificuldade em converter de forma limpa quantidades muito pequenas de energia. E em travagens fortes a alta velocidade, o sistema só consegue absorver energia a um ritmo limitado; assim que a exigência de travagem ultrapassa esse ritmo, os travões de fricção convencionais entram em ação, e a energia excedente transforma-se em calor, exatamente como num carro a combustão. É por isso que uma condução suave e antecipada, sem travagens de última hora, tende a render mais energia recuperada do que uma condução mais agressiva.
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Abrir o comparador →Um pedal ou dois: a diferença é menor do que a maioria pensa
A maioria dos elétricos oferece condução a um único pedal, em que levantar o pé do acelerador já desacelera fortemente o carro, muitas vezes até parar por completo, sem tocar no travão. A alternativa é a travagem mista, em que o carro combina regeneração e travagem de fricção sempre que o pedal do travão é pressionado. A intuição de muitos condutores é que a condução a um pedal deve ser significativamente mais eficiente. A realidade, segundo investigação da Universidade Técnica de Eindhoven, é mais modesta: a condução a um pedal melhora a eficiência energética global entre apenas 2% e 9% face à travagem mista, consoante o cenário. Um estudo separado, feito com um Chevrolet Bolt, situou essa vantagem nos 5%. Num carro com 400 km de autonomia, isso traduz-se em cerca de 8 a 36 km extra numa carga completa; num trajeto diário típico de 100 km, a vantagem fica-se por apenas 2 a 9 km. Um teste real feito com um Polestar 2 não encontrou sequer diferença mensurável entre os dois modos, precisamente porque os sistemas modernos de travagem mista já são muito eficazes a priorizar a regeneração antes de recorrer aos travões de fricção.

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Um benefício silencioso que poucos condutores associam à regeneração
Para além da energia recuperada, a travagem regenerativa tem um efeito colateral valioso: ao depender menos dos travões de fricção convencionais, as pastilhas e os discos de travão de um elétrico usado predominantemente em cidade podem durar entre 130 mil e 160 mil quilómetros, uma vida útil substancialmente mais longa do que num carro a combustão equivalente, reduzindo custos de manutenção ao longo dos anos.
O que isto significa, na prática
A conclusão prática é dupla. Primeiro, o estilo de condução importa mais do que o modo escolhido: uma condução suave e antecipada recupera consistentemente mais energia do que qualquer configuração de regeneração, seja ela a um pedal ou mista. Segundo, a escolha entre um pedal e travagem mista deveria assentar sobretudo no conforto e na preferência pessoal do condutor, não na expectativa de uma poupança de energia dramática, já que a diferença real entre ambos é, na esmagadora maioria dos casos, pequena demais para se notar no dia a dia.
Fontes: ScienceInsights, EV Engineering Online, EV Charge Savings, Being Electrical Engineer, GreenMoov.
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