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A fábrica de baterias que vai abastecer a Autoeuropa em Palmela pode ficar em mãos chinesas: a Gotion negoceia a maioria da gigafábrica da Volkswagen em Sagunto, mas a alemã nega ceder o controlo

Redação Eletrificados · 7 de agosto de 2026·4 min de leitura
A fábrica de baterias que vai abastecer a Autoeuropa em Palmela pode ficar em mãos chinesas: a Gotion negoceia a maioria da gigafábrica da Volkswagen em Sagunto, mas a alemã nega ceder o controlo

A Volkswagen está a negociar entregar o controlo maioritário de uma das suas fábricas de baterias mais importantes na Península Ibérica à chinesa Gotion High-Tech, segundo avançou a espanhola La Tribuna de Automoción e confirmaram depois o El Español, o Motor16 e o alemão electrive.com. A fábrica em causa, a gigafábrica da PowerCo (a divisão de baterias do grupo Volkswagen) em Sagunto, perto de Valência, é a que deve abastecer de células as fábricas de elétricos em Espanha e também a fábrica da Volkswagen Autoeuropa em Palmela.

O que está a ser negociado

Segundo o electrive.com, que cita fontes próprias do processo, a Gotion está a negociar assumir uma participação maioritária na fábrica através de uma joint venture, com a PowerCo a ficar reduzida a sócia minoritária. Thomas Schmall, membro do conselho de administração da Volkswagen responsável pela área técnica, lidera as negociações do lado alemão, e o presidente executivo da Gotion, Li Zhen, já visitou pessoalmente as instalações em Sagunto. Nenhuma das fontes consultadas especifica a percentagem exata em cima da mesa.

Há uma ironia na história: a Volkswagen é, ela própria, acionista da Gotion, com uma participação de cerca de um quarto do capital da empresa chinesa. A mesma marca que investiu na Gotion como fornecedora está agora a negociar entregar-lhe o controlo de uma fábrica que construiu com dinheiro próprio.

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A Volkswagen nega ceder o controlo, mas não desmente as negociações

Contactada pela imprensa espanhola, a PowerCo respondeu com uma declaração que nega a conclusão mas não a atividade: “não temos planos de abdicar do controlo da Gigafábrica de Valência”, disse a empresa, segundo o El Periódico de la Energía e o electrive.com. Ao mesmo tempo, a PowerCo admitiu estar a avaliar “possíveis colaborações com parceiros”, sem confirmar nem desmentir qualquer negociação concreta com a Gotion. É uma posição que deixa a porta aberta a uma entrada minoritária da empresa chinesa, mesmo negando explicitamente perder a maioria.

Uma fábrica já atrasada e com menos trabalhadores do que precisava

A gigafábrica de Sagunto não está a correr como planeado, o que ajuda a perceber por que razão a Volkswagen pondera trazer um parceiro. Segundo o electrive.com, a produção pré-série, inicialmente prevista para setembro de 2026, foi adiada para dezembro, e a produção em série só deve arrancar no verão de 2027, mais tarde do que o calendário original. No plano de contratação para 2026, a fábrica previa cerca de 500 novos postos de trabalho; até agora, segundo a mesma fonte, só cerca de 50 foram preenchidos.

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Este atraso não é um caso isolado. A Volkswagen chegou a anunciar um plano de seis gigafábricas de baterias na Europa; esse número já foi reduzido para três, um recuo que reflete a procura mais lenta de elétricos no continente e os custos elevados de construir capacidade de produção de baterias de raiz, face à vantagem de escala que os fabricantes chineses já têm.

Porque interessa a Portugal

A fábrica de Sagunto não é só um assunto espanhol. Segundo o electrive.com, está pensada para abastecer de células de bateria a produção de elétricos em Martorell (SEAT/Cupra), em Navarra (Volkswagen) e na fábrica da Volkswagen Autoeuropa em Palmela, atualmente o maior investimento industrial estrangeiro em Portugal. Se a Gotion vier mesmo a assumir a maioria da fábrica, uma parte da cadeia de fornecimento de baterias dos elétricos montados em Portugal passa a estar, na prática, sob controlo chinês, um paralelo direto com o outro grande investimento chinês já confirmado no setor em Portugal, a fábrica da CALB em Sines, avaliada em cerca de dois mil milhões de euros.

Este tema já tinha sido referido de forma breve neste fórum, como um “fio solto” ainda por confirmar, no artigo sobre a queda das marcas alemãs na China e a ofensiva chinesa na Europa. Passadas quase duas semanas, as negociações continuam por confirmar ou desmentir de forma definitiva por qualquer uma das partes, mas o número de fontes independentes a descrevê-las como “avançadas” já é maior, e a resposta oficial da PowerCo, a negar perder o controlo sem negar as negociações, é, ela própria, um dado novo que ainda não existia na primeira vez que o tema foi mencionado.

Fontes: La Tribuna de Automoción, El Español, Motor16, electrive.com, El Periódico de la Energía (declaração oficial da PowerCo).

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