A Tesla disse aos reguladores que a condução assistida estava ativa num acidente fatal, mas isso nunca chegou ao conhecimento público
A Tesla comunicou aos reguladores federais norte-americanos que o seu sistema de condução assistida estava “verificadamente ativo” no momento em que um Model 3 se despistou a 104 mph (cerca de 167 km/h) e matou o condutor, em Clute, no Texas, em maio de 2026. Este detalhe nunca apareceu em nenhum comunicado policial nem em nenhuma notícia sobre o acidente na altura, e só veio a público agora, através de uma investigação em curso do Electrek, que tem vindo a analisar de forma sistemática relatórios que a Tesla é obrigada a submeter à Administração Nacional de Segurança Rodoviária dos EUA (NHTSA).
O condutor, Steven Alvarez, de 23 anos, técnico de informática numa escola do Texas, morreu a 20 de maio de 2026, quando o seu carro saiu da estrada, atravessou a cerca de um parque municipal em Clute e embateu no complexo de uma piscina municipal já desativada, onde acabou por se incendiar. A polícia local, na altura, apontou como hipótese preliminar um episódio médico súbito do condutor. Nenhuma notícia ou comunicado oficial mencionou o Autopilot, o “Full Self-Driving” (FSD), ou qualquer sistema de condução assistida da Tesla. Também não foi divulgada, em nenhum momento público, a velocidade a que o veículo circulava; a única referência conhecida a essa possibilidade foi uma menção informal a um “Tesla em excesso de velocidade” nas redes sociais.
O comparador de elétricos mais completo em Portugal
Autonomia real por clima e trajeto, poupança com preços portugueses e comparação lado a lado até quatro carros.
Abrir o comparador →Ao abrigo de uma diretiva federal de 2021 (Standing General Order), os fabricantes são obrigados a reportar à NHTSA os acidentes em que um sistema de condução assistida de nível 2 esteve ativo nos 30 segundos anteriores ao impacto, sempre que haja feridos, mortos, ou o veículo tenha de ser rebocado. É nesses relatórios, submetidos pela própria Tesla mas parcialmente ocultados por redações da própria empresa, que a informação sobre a ativação do sistema no acidente de Clute veio finalmente a público. Segundo a análise do Electrek, a Tesla é responsável por cerca de 85% de todos os relatórios deste tipo em toda a indústria automóvel norte-americana, quase 4.000 acidentes, um número que continua a subir ano após ano.

O fórum Eletrificados está aberto
Universos por marca, Radar de Entregas, calculadoras de carregamento e a garagem dos membros. Junta-te à conversa.
Este caso não está isolado. O mesmo trabalho de investigação já tinha identificado, nos últimos dias, pelo menos dois outros acidentes fatais com o mesmo padrão: um em Lake Mary, na Flórida, em que um Model 3 estava parado numa faixa de circulação ativa da autoestrada I-4 quando foi embatido por um camião semirreboque, e outro em Mesa, no Arizona, praticamente idêntico, com um Model 3 parado às 3 da manhã numa autoestrada quando foi também embatido por trás. Em ambos os casos, os dados internos da Tesla confirmam o sistema de condução assistida ativo, informação que, mais uma vez, nunca tinha sido tornada pública antes desta investigação.
Este episódio soma-se a outros casos recentes envolvendo a mesma tecnologia da Tesla que já geraram investigações formais da NHTSA, incluindo um acidente em Katy, no Texas, em que um Model 3 embateu contra uma casa, matando uma mulher que se encontrava lá dentro, um caso em que o próprio condutor confirmou ter o sistema de condução assistida ativo, apesar de Elon Musk ter contestado publicamente essa versão dos factos.
Fontes: Electrek, The Bold News, Yahoo Finance.
Esta notícia está em discussão no fórumDonos reais, perguntas e respostas, experiências de quem conduz. Junta a tua voz.
Ir para a conversa