Carregamentos disparam 33% em Portugal: junho teve 955 mil sessões e quase o dobro dos utilizadores. E as sextas-feiras contam uma história
Os números do primeiro semestre da mobilidade elétrica portuguesa saíram e são um retrato de país em mudança: os carregamentos na rede pública cresceram 33 por cento até junho, segundo os dados da MOBI.E divulgados pela Lusa. Só em junho foram mais de 955 mil sessões de carregamento, a roçar a barreira simbólica do milhão mensal que maio já tinha ameaçado com o seu recorde de 968 mil.
Mas o número que realmente conta a história não é o dos carregamentos; é o dos carregadores. Mais de 231 mil utilizadores distintos usaram a rede em junho, um crescimento homólogo de 89 por cento. Quase a duplicar num ano. A leitura é inequívoca: a mobilidade elétrica em Portugal deixou de ser o clube dos pioneiros e entrou na fase da massificação, com os recém-chegados a descobrir cartões, apps e postos pela primeira vez. O consumo de energia acompanhou, ultrapassando os 22 mil MWh no mês, mais 36 por cento do que há um ano.
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Abrir o comparador →A infraestrutura tem corrido atrás da procura: no final de junho, a rede pública somava 8.080 postos e cerca de 15.300 pontos de carregamento, dos quais 39 por cento já são rápidos ou ultrarrápidos. A potência instalada nacional está cerca de 5 por cento acima da meta que o regulamento europeu AFIR fixou para Portugal, e entre abril e junho entraram centenas de pontos novos ao serviço, ao ritmo de dezenas por semana.

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E depois há a estatística que parece anedota e é sociologia: a sexta-feira é o dia em que mais se carrega, acima das 34 mil sessões diárias. A explicação está nas escapadelas de fim de semana. O elétrico deixou de ser o segundo carro citadino e passou a ir de férias, com os donos a encherem a bateria antes da estrada. O pico de 30 de abril, véspera de ponte, tinha contado a mesma história.
Este crescimento todo tem, claro, o seu reverso: mais gente na rede significa mais concorrência pelos postos nas horas de ponta, e é por isso que as regras de rotatividade e a etiqueta do carregamento nunca foram tão importantes como agora. A rede está a crescer acima das metas; falta que os hábitos cresçam ao mesmo ritmo.
As perguntas para a caixa: notam mais fila nos postos este ano? E os números batem certo com a vossa experiência: carregam mais fora de casa do que carregavam?
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