ELETRIFICADOS
Marcas

Os carros estão a ficar grandes demais para as cidades: a Europa pode perder 14% do estacionamento até 2040. E a MG joga nas duas equipas

Redação Eletrificados · 10 de julho de 2026·3 min de leitura
Os carros estão a ficar grandes demais para as cidades: a Europa pode perder 14% do estacionamento até 2040. E a MG joga nas duas equipas

Há um fenómeno a acontecer nas ruas europeias, tão lento que quase não se vê e tão consistente que já tem nome: carspreading. Os carros novos crescem, em média, 1,2 centímetros de comprimento por ano desde 2000, e meio centímetro em largura e altura. Parece nada, mas somado dá isto: o carro médio europeu passou de 4,09 metros e 1,69 de largura em 2000 para 4,38 por 1,82 em 2025. As ruas, essas, ficaram do mesmo tamanho.

As contas do que isso custa às cidades foram agora feitas pelo estudo Ever-bigger?, da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente e da Clean Cities Campaign, divulgado em Portugal pela associação ZERO. Se a tendência continuar, as cidades europeias perdem entre 8,5 e 14 por cento dos lugares de estacionamento de rua até 2040, simplesmente porque os carros deixam de caber neles. Londres pode perder até 118 mil lugares, Berlim 117 mil, Madrid 41 mil. Onde hoje estacionam dez carros, caberão oito ou nove. A ZERO lembra o que isto significa num país onde metade do espaço urbano já é do automóvel: passeios estreitos ou inexistentes, estacionamento em cima deles, e menos espaço para tudo o resto.

COMPARADOR

O comparador de elétricos mais completo em Portugal

Autonomia real por clima e trajeto, poupança com preços portugueses e comparação lado a lado até quatro carros.

Abrir o comparador →
1383versões
76marcas
Realautonomia por clima
poupança vs combustível

O estudo vai a sítios mais desconfortáveis do que o estacionamento. Um capot alto, típico de muitos SUV, pode esconder por completo uma criança de nove anos à frente do carro, e as projeções apontam para mais 400 mortos por ano nas estradas europeias em 2040 se o crescimento continuar, com as crianças peões entre as principais vítimas. E há a fatura energética, que liga diretamente ao tema da rede elétrica de que falámos ontem: carros maiores e mais pesados, mesmo elétricos, gastam mais, e a tendência custaria à Europa mais 22,5 TWh de eletricidade por ano, o equivalente a 1.500 turbinas eólicas offshore, ou sete mil milhões de euros anuais nas contas das famílias.

O fórum Eletrificados está aberto

Universos por marca, Radar de Entregas, calculadoras de carregamento e a garagem dos membros. Junta-te à conversa.

46 Universos de marcaRadar de EntregasCalculadorasDonos reais
Entrar no fórum

As propostas em cima da mesa são para levar a sério, porque algumas já saíram do papel: limites europeus às dimensões dos carros novos a partir de 2036 (capot até 85 centímetros de altura, largura máxima de 1,92 metros), impostos de matrícula e circulação indexados ao tamanho, e estacionamento progressivo — Paris já cobra mais aos veículos pesados, incluindo elétricos. Do outro lado da equação, o mercado continua a votar SUV: só nos primeiros cinco meses do ano venderam-se mais de dois milhões na Europa, enquanto os compactos caíram quinze por cento, porque as margens mandam e os fabricantes abandonam os carros pequenos.

E é aqui que a história fica interessante para quem conduz um MG, porque a marca joga, literalmente, nas duas equipas. De um lado, o MG4 Urban, com os seus 4,23 metros, fica abaixo da média europeia atual, e o futuro MG GO! de 2027 vai direto ao segmento dos quatro metros que quase todos os fabricantes abandonaram — se as cidades começarem a premiar carros pequenos, a MG estará no sítio certo à hora certa. Do outro lado, o MGS9 estica-se acima dos cinco metros e o Cyber concept revelado esta semana em Goodwood segue-lhe o exemplo. A mesma marca que pode beneficiar do aperto às dimensões vende também os carros que o aperto quer travar.

As perguntas desta semana vão direitas à vossa vida: quem estaciona na rua, já sente o aperto? Pagariam estacionamento indexado ao tamanho do carro, como em Paris? E na hora de escolher o próximo, o tamanho conta — para mais, ou para menos?

Esta notícia está em discussão no fórumDonos reais, perguntas e respostas, experiências de quem conduz. Junta a tua voz. Ir para a conversa