ELETRIFICADOS
Mercado

Trump diz que condutores de elétricos "têm uma doença", mas os números que ele próprio citou contam uma história diferente

Redação Eletrificados · 11 de agosto de 2026·3 min de leitura
Trump diz que condutores de elétricos "têm uma doença", mas os números que ele próprio citou contam uma história diferente

Num comício em Las Vegas, na noite de 5 de agosto, no Red Rock Resort, Donald Trump levou as suas críticas aos carros elétricos a um novo patamar: já não atacou só a tecnologia ou as políticas que a incentivam, atacou diretamente quem os conduz. “Estão a conduzir um carro elétrico, e apercebem-se que a bateria está a descer. Começam a pensar nisso quando ainda está a três quartos da capacidade. Estas pessoas são loucas”, afirmou, citado pela Electrek.

O presidente deu como exemplo os painéis nas autoestradas norte-americanas que indicam a distância até ao posto de carregamento mais próximo, referindo um caso concreto em que essa distância era de 89 milhas (cerca de 143 quilómetros). Reivindicou ainda, mais uma vez, ter travado aquilo a que chama “mandato elétrico”, uma alegada obrigação de todos os americanos possuírem um carro elétrico até 2030, “mesmo sem haver forma de o carregar”. Segundo várias publicações que verificaram esta afirmação, nunca existiu qualquer lei federal desse tipo. O que existia era uma meta, fixada pela administração Biden, de que metade dos veículos novos vendidos nos EUA fossem de emissões zero até 2030, uma meta dirigida aos fabricantes, não aos compradores, e que nem sequer se limitava a elétricos: incluía também híbridos plug-in e veículos a hidrogénio. Foi essa meta, junto com os padrões federais de emissões e a autorização especial que permitia à Califórnia impor limites mais apertados, o alvo real do decreto que Trump assinou em janeiro de 2025.

COMPARADOR

O comparador de elétricos mais completo em Portugal

Autonomia real por clima e trajeto, poupança com preços portugueses e comparação lado a lado até quatro carros.

Abrir o comparador →
1383versões
76marcas
Realautonomia por clima
poupança vs combustível

O discurso incluiu também uma referência a Elon Musk: “Eu acabei com o mandato elétrico. Não quero falar sobre isso porque o Elon não ficou propriamente satisfeito comigo, mas eu tive de o fazer. Nós adoramos o Elon.” A frase reflete o azedar da relação entre os dois desde que o empresário deixou o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), no início de 2025, após um período em que os dois foram próximos aliados políticos.

O fórum Eletrificados está aberto

Universos por marca, Radar de Entregas, calculadoras de carregamento e a garagem dos membros. Junta-te à conversa.

46 Universos de marcaRadar de EntregasCalculadorasDonos reais
Entrar no fórum

Quanto aos números, Trump não estava longe da realidade, mas usou-os para contar uma história incompleta. Disse que os elétricos representam cerca de 7% das vendas de automóveis nos EUA — segundo dados da Cox Automotive, a quota real no segundo trimestre de 2026 foi de 5,8%, com 247.226 veículos elétricos novos vendidos, um valor generoso mas na ordem de grandeza certa. O que Trump não mencionou é que essas vendas cresceram 14,7% face ao trimestre anterior, mas caíram 20,5% face ao mesmo período de 2025, uma quebra que se seguiu diretamente ao fim do crédito fiscal federal de 7.500 dólares à compra de elétricos, decidido pela própria administração. Desde que tomou posse, o governo Trump eliminou esse incentivo, aliviou as regras de emissões da EPA para automóveis novos e congelou verbas federais destinadas a expandir corredores de carregamento rápido a nível nacional.

Há, de facto, razões genuínas para alguns condutores norte-americanos hesitarem em mudar para um elétrico: a cobertura de carregadores públicos continua desigual fora das grandes áreas urbanas, nem todos os postos funcionam de forma fiável, e carregar continua a demorar mais do que abastecer um depósito de combustível. Mas essa realidade contrasta com o que acontece no resto do mundo: na União Europeia, a rede pública de carregamento tem crescido mais depressa do que a frota de elétricos, com 1,1 milhões de pontos de carregamento no final de 2025, cinco vezes mais do que em 2020. A quota de elétricos na Europa ronda os 22%, e na China ultrapassa os 33%, segundo os números citados pelo próprio Trump no mesmo discurso.

Fontes: Razão Automóvel, Electrek, Carscoops, New Mobility News.

Esta notícia está em discussão no fórumDonos reais, perguntas e respostas, experiências de quem conduz. Junta a tua voz. Ir para a conversa