ELETRIFICADOS
Mercado

Um estudo alemão mostra que "zero emissões" é um exagero, mas a conclusão real é o contrário do que parece

Redação Eletrificados · 9 de setembro de 2026·3 min de leitura
Um estudo alemão mostra que "zero emissões" é um exagero, mas a conclusão real é o contrário do que parece

Um novo estudo da Universidade Técnica de Munique (TUM), apresentado a 1 de setembro pela rede de investigação interdisciplinar CirculaTUM, confirma algo que os especialistas já sabiam, mas que raramente é dito com esta clareza aos consumidores: um carro elétrico não tem, de facto, “zero emissões”. Mas atenção à conclusão real dos investigadores, que é precisamente o oposto do que alguns títulos sensacionalistas têm sugerido: os elétricos continuam a ser, de longe, a melhor ferramenta disponível para reduzir as emissões dos transportes, e os investigadores recomendam mais eletrificação, não menos.

O que o estudo mediu

Sob a liderança de três professores, Johannes Fottner, Magnus Fröhling e Tim Büthe, a equipa analisou 19 estudos já publicados, cobrindo 47 cenários diferentes, na análise mais completa já feita sobre a pegada climática de um carro ao longo de todo o seu ciclo de vida, da produção ao fim de vida, passando pela utilização diária. A conclusão central: em média, um elétrico reduz as emissões totais em 41% face a um carro a combustão equivalente, e é mais limpo em cerca de 92% dos cenários analisados. Mas essa média esconde uma variação enorme: consoante a origem da eletricidade usada no fabrico e no carregamento, e a eficiência do processo de reciclagem, a redução pode chegar aos 89%, ou, no pior cenário possível, o elétrico pode até poluir 21% mais do que um equivalente a combustão.

COMPARADOR

O comparador de elétricos mais completo em Portugal

Autonomia real por clima e trajeto, poupança com preços portugueses e comparação lado a lado até quatro carros.

Abrir o comparador →
1383versões
76marcas
Realautonomia por clima
poupança vs combustível

O verdadeiro problema não é o carro, é a forma como a UE o mede

O fórum Eletrificados está aberto

Universos por marca, Radar de Entregas, calculadoras de carregamento e a garagem dos membros. Junta-te à conversa.

46 Universos de marcaRadar de EntregasCalculadorasDonos reais
Entrar no fórum

A crítica central dos investigadores não é aos elétricos, é ao método de regulação da União Europeia, definido pelo Regulamento 2019/631, que mede a pegada climática de um carro num único ponto: o tubo de escape. Como um elétrico não emite gases enquanto circula, é classificado como tendo zero gramas de CO2 por quilómetro, mesmo que a eletricidade usada para o carregar venha de uma central a carvão, e mesmo sem contabilizar as emissões da extração de matérias-primas ou do fabrico da bateria. Em contrapartida, esta mesma metodologia também não reconhece os créditos que deveria: aço fabricado com quase zero emissões de carbono, baterias produzidas com eletricidade cada vez mais descarbonizada, ou a recuperação de matérias-primas através da reciclagem, algo que já explicámos aqui em detalhe.

A recomendação real: um novo padrão, não um recuo

Os investigadores da TUM propõem, em vez do atual sistema, uma norma baseada no ciclo de vida completo, que credite cada tonelada de carbono fóssil efetivamente poupada, independentemente da fase do ciclo de vida em que essa poupança acontece. É importante sublinhar, com a mesma clareza que a própria Vision Mobility já teve ao noticiar este estudo: a direção do estudo é explicitamente incluir estas alavancas de descarbonização “em vez de recuar no caminho da eletrificação”, preservando assim a ambição climática da União Europeia, não a abandonando. Tim Büthe, um dos autores, sublinhou ainda que o verdadeiro debate político não é sobre se o ciclo de vida completo deve ou não ser contabilizado, mas sobre quão vinculativa essa contabilização deve ser, uma distinção que, segundo o próprio investigador, “se perde muitas vezes na simplificação política do debate”.

Fontes: Technical University of Munich (comunicado oficial), Electrive, TechXplore, Vision Mobility.

Esta notícia está em discussão no fórumDonos reais, perguntas e respostas, experiências de quem conduz. Junta a tua voz. Ir para a conversa