Um milhão de carros num único mês: a China bateu todos os recordes de exportação. Deverá ultrapassar os 10 milhões de veículos exportados no ano 2026!
Há marcos que se anunciam ao longe e ainda assim impressionam quando chegam. Em junho, pela primeira vez na história, a China exportou mais de um milhão de automóveis num único mês: 1,06 milhões, mais 71,2 por cento do que em junho do ano passado, segundo os dados da Administração-Geral das Alfândegas chinesas. A este ritmo, o país fechará 2026 acima dos dez milhões de carros exportados, contra 7,1 milhões em 2025 e menos de cinco milhões em 2023. Em três anos, a máquina duplicou.
Mais de metade destes carros são veículos de nova energia, elétricos e híbridos plug-in, e os protagonistas são conhecidos das estradas portuguesas: a BYD vendeu 175 mil carros fora da China em junho, quase o dobro de há um ano, e as vendas internacionais já representam 43 por cento de tudo o que produz, um recorde para uma empresa que há cinco anos mal exportava. A Geely estreou-se nos grandes números lá fora, e a SAIC, dona da MG, continua a fazer da marca anglo-chinesa a sua ponta de lança na Europa.
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Abrir o comparador →O que torna este recorde mais interessante é o que ele esconde: a China não está a exportar por força, está a exportar por necessidade. No mesmo junho do milhão lá fora, o mercado interno chinês caiu 23 por cento, com o semestre a recuar 20. O fim parcial dos incentivos à compra e a saturação de um mercado onde os elétricos já são mais de metade das vendas deixaram as fábricas com capacidade a sobrar, e essa capacidade procura casa. A nossa. É esta pressão que explica as tarifas adicionais da União Europeia sobre elétricos fabricados na China, que Pequim contesta, defendendo que a sua competitividade nasce da inovação e da escala, não dos subsídios.

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Para Portugal, o recorde tem tradução prática nas duas pontas do negócio. Na oferta: mais navios, mais stock, mais marcas chinesas a chegar (as MG, BYD e companhia que dominam os tops de vendas de elétricos cá) e uma guerra de preços que beneficia quem compra. Na dúvida existencial: um mercado europeu inundado de produção chinesa excedentária pressiona as marcas históricas e acelera a corrida às fábricas locais. O próximo capítulo desta história não se escreve nos portos; escreve-se nas fábricas que os chineses estão a abrir na Europa para saltar por cima das tarifas.
As perguntas para os comentários: este tsunami de oferta é boa notícia para o consumidor português, ou o preço baixo de hoje paga-se na indústria europeia de amanhã? E quem cá anda de marca chinesa: foi o preço que decidiu, ou já foi o produto?
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